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Libido Feminina e Ciclo Menstrual: Como o Desejo se Move Dentro de Ti

Atualizado: há 6 dias

Há momentos em que o desejo aparece sem esforço. Um olhar, um toque, um pensamento são suficientes para acender algo no corpo. E há outros em que esse mesmo corpo parece distante, silencioso, sem vontade de se oferecer ao encontro.


Muitas mulheres vivem esta oscilação com estranheza ou com culpa. Perguntam-se o que mudou, o que perderam, o que precisam de “voltar a fazer”. Mas talvez a pergunta mais honesta seja outra: e se o desejo nunca tivesse desaparecido, apenas mudado de lugar?


A libido feminina e o ciclo menstrual são inseparáveis na experiência do desejo. Entender como estes dois aspectos se influenciam é fundamental para que cada mulher possa viver a sua sexualidade com mais liberdade, respeito e prazer.


O desejo feminino não é linear e isso é sabedoria, não falha


Durante muito tempo, o desejo foi explicado a partir de um modelo masculino: constante, orientado para o estímulo e desligado do contexto emocional. Quando este modelo é aplicado às mulheres, o resultado é quase sempre o mesmo: sensação de inadequação.


A sexologia contemporânea tem vindo a confirmar aquilo que muitas mulheres sempre souberam no corpo: o desejo feminino é, muitas vezes, responsivo. Ele nasce da segurança, da presença, do vínculo e do tempo. Não surge por obrigação nem se mantém por força de vontade.


A isto soma-se um fator essencial: o corpo feminino vive em ciclos hormonais mensais. O desejo, naturalmente, acompanha esses movimentos.


Como a libido feminina e ciclo menstrual se entrelaçam para moldar o desejo


O ciclo menstrual não é apenas um processo reprodutivo. Ele é uma paisagem viva, em constante mutação, que influencia energia, emoções, perceção sensorial e abertura ao encontro.


Na linguagem da endocrinologia, falamos de estrogénio, progesterona e testosterona a subir e a descer. Nas tradições ancestrais, falamos de energia vital, circulação, recolhimento e expansão. No corpo real da mulher, tudo isto acontece ao mesmo tempo.


Durante a menstruação, quando o corpo se volta para dentro, o desejo tende a recolher-se também. Não porque algo esteja errado, mas porque a energia está a ser usada para limpar, regenerar, integrar.


É um tempo que pede suavidade, descanso, presença sem exigência. Para algumas mulheres, o desejo aqui assume formas menos genitais e mais afetivas; para outras, simplesmente silencia - e isso também é saudável.


Com o fim do sangramento, algo desperta. A energia começa a subir, a mente clareia, o corpo volta a habitar o mundo com curiosidade. O desejo não explode; ele acorda. Há mais abertura ao toque, à troca, à novidade. É uma fase de leveza e disponibilidade.


À medida que a ovulação se aproxima, o corpo entra num estado de maior expansão. As hormonas que favorecem a excitação e a resposta sexual atingem o seu pico, e muitas mulheres sentem aqui um desejo mais direto, mais vivo, mais corporal.


O prazer torna-se mais acessível, os orgasmos mais próximos. É o momento em que o corpo diz, sem rodeios: “estou aqui”.


Depois, lentamente, a energia começa a descer. Na fase pré-menstrual, o corpo pede verdade. Menos ruído, menos concessões, menos esforço. O desejo pode diminuir ou transformar-se. Para algumas mulheres, ele torna-se mais emocional, mais intenso, mais exigente de presença real. Para outras, simplesmente dá lugar à necessidade de espaço e introspeção.


Nenhuma destas fases é melhor do que a outra. Todas fazem parte da inteligência do ciclo.


Quando o corpo pede ritmo e a mente exige constância


Muitos dos bloqueios ao prazer feminino nascem deste desencontro: o corpo a mudar e a mente a exigir que tudo permaneça igual.


Quando uma mulher tenta forçar desejo nos momentos em que o corpo pede recolhimento, o sexo transforma-se em tarefa. A dopamina - neurotransmissor do prazer - aprende que aquela experiência exige esforço, não entrega. Com o tempo, o desejo começa a afastar-se, não por desinteresse, mas por autoproteção.


Respeitar o ciclo não significa abdicar da vida sexual. Significa escutá-la com mais nuance. Permitir que a intimidade assuma diferentes formas, diferentes ritmos, diferentes linguagens.


O ciclo como aliado da intimidade consciente


Na Medicina Tradicional Chinesa, respeitar os ritmos do corpo é uma forma de preservar energia vital. Já no Xamanismo e na Educação Menstrual Consciente, o ciclo é visto como um mapa de autoconhecimento e poder pessoal.


Quando uma mulher começa a reconhecer os seus padrões de desejo ao longo do mês, algo muda profundamente:

  • a culpa dissolve-se

  • a comunicação torna-se mais honesta

  • o prazer deixa de ser um objetivo e passa a ser uma consequência


Uma frase que repito frequentemente nas sessões 1:1 Pele Femme é:


"O desejo não precisa de ser constante para ser verdadeiro. Ele precisa de ser escutado."


O desejo não se perdeu. Está a pedir espaço.


Quando falamos de libido feminina e ciclo menstrual, talvez o maior convite seja este: parar de perguntar o que está errado e começar a perguntar o que está vivo.


O corpo feminino não falha. Ele comunica. E quando aprendemos a ouvir o ciclo menstrual como uma bússola, ao invés de um obstáculo, a libido deixa de ser um problema a resolver e passa a ser uma força a acompanhar.


A jornada do autoconhecimento sexual


A sexualidade é uma jornada. Cada mulher tem a sua própria história, suas experiências e seus desafios. É fundamental que cada uma de nós se permita explorar essa jornada sem pressa. O autoconhecimento sexual é um presente que oferecemos a nós mesmas.


Quando nos permitimos mergulhar na nossa própria sexualidade, começamos a descobrir novas facetas do prazer. O que nos faz sentir bem? O que nos excita? O que nos faz sentir conectadas? Essas perguntas são essenciais.


A sexualidade consciente é uma prática que envolve atenção plena. Quando estamos presentes, conseguimos sentir cada toque, cada respiração, cada emoção. Essa presença transforma a experiência sexual em algo mais profundo e significativo.


A importância da comunicação


A comunicação é a chave para uma vida sexual saudável. Conversar abertamente sobre desejos, limites e preferências é essencial. Muitas vezes, o que impede o prazer é a falta de diálogo. Quando falamos, criamos um espaço seguro para a intimidade.


Não tenha medo de expressar o que sente. A vulnerabilidade é uma forma de conexão. Ao partilhar os seus desejos, você convida o outro a fazer o mesmo. Essa troca é poderosa e pode transformar a relação.


Práticas para cultivar a libido


Existem várias práticas que podem ajudar a cultivar a libido. A meditação, por exemplo, é uma ferramenta poderosa. Ela ajuda a acalmar a mente e a conectar-se com o corpo. A respiração consciente também é uma prática que pode aumentar a sensibilidade e a conexão.


Outra prática é a dança. Dançar é uma forma de expressar a sexualidade de maneira livre e criativa. Permita-se mover o corpo, sentir a música e deixar-se levar. A dança pode ser uma forma de redescobrir o prazer.


Conclusão


A sexualidade é uma parte essencial da vida. É uma expressão do nosso ser mais profundo. Quando aprendemos a respeitar o nosso corpo e os seus ciclos, abrimos espaço para o desejo. O desejo não se perdeu; ele está apenas à espera de ser redescoberto.


A nossa jornada de autoconhecimento sexual é única. Cada passo que damos é uma oportunidade de crescimento. Ao abraçar a nossa sexualidade, permitimos que o prazer flua livremente.



Abraço pele com pele,

Tamar



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