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Não Precisas de Estar "Curada" Para Ser Amada: O Que Esther Perel Nos Ensina Sobre Relações e Crescimento Pessoal


Há uma ideia que se instalou no desenvolvimento pessoal como se fosse verdade absoluta e que precisamos de pôr em causa.

A ideia de que precisamos de estar "prontas" para nos relacionarmos. De que a intimidade saudável exige que estejamos curadas primeiro. De que o amor só pode ser bom depois de estarmos inteiras.

É uma ideia bonita na superfície. E pode tornar-se uma das armadilhas mais sofisticadas do crescimento pessoal.


Quando o autoconhecimento se torna autoisolamento

Esther Perel - terapeuta de casais e uma das vozes mais lúcidas sobre intimidade na atualidade - aponta algo que muitas de nós reconhecemos, mesmo que não tenhamos palavras para isso: transformámos os relacionamentos em projetos de autoaperfeiçoamento.

A pergunta deixou de ser "O que é possível entre nós?" e passou a ser "Como me corrijo para ser amável?"

E assim, sem dar por isso, o processo torna-se mais um obstáculo à conexão do que um caminho para ela.

Não precisas de estar totalmente curada para ser amada. Precisas de estar disposta a aparecer.

Não precisas de estar curada para ser amada: o mito de estar “pronta”

Existe um padrão que reconheço com frequência nas sessões: mulheres que fizeram terapia, que leram os livros, que meditam, que conhecem os seus padrões de trás para a frente — e que, mesmo assim, congelam na presença do outro.

Não porque não trabalharam o suficiente. Mas porque há camadas que só se movem dentro da relação. Que só o encontro consegue despertar.

O "ainda não estou pronta" pode ser uma forma genuína de auto respeito. Mas pode também ser uma forma elegante de nunca arriscar. A diferença está no corpo e na honestidade com que olhamos para o que estamos realmente a evitar.



O que só acontece no encontro


Perel fala sobre como a verdadeira intimidade não é o resultado de dois indivíduos trabalhados — é o que emerge no espaço entre dois. Algo que nenhuma das duas pessoas consegue criar sozinha, por mais trabalho interior que tenha feito.


As relações não são espelhos das nossas inseguranças. São espaços colaborativos onde duas pessoas constroem algo que não existia antes delas se encontrarem.


Quando paramos de nos analisar e começamos a ver verdadeiramente a pessoa à nossa frente - com curiosidade genuína, não com projeção - o amor começa a respirar.


Isto aplica-se ao par amoroso. Aplica-se às amizades. Aplica-se a qualquer relação que queiramos que seja real.



Crescer dentro das relações, não apesar delas


A espiritualidade e o desenvolvimento pessoal têm um lado luz extraordinário. E têm um lado sombra que raramente se discute: o isolamento disfarçado de crescimento.


É a análise constante que nos afasta de estar presentes no corpo. É o afastamento progressivo de pessoas que não "falam a mesma linguagem". É a sensação subtil de que o nosso processo é demasiado delicado para sobreviver ao contacto com quem não está no mesmo caminho.


Mas o processo não acontece apesar das relações. Acontece dentro delas. No atrito suave. Na vulnerabilidade partilhada. Na cumplicidade de quem já não tem vergonha de mostrar o total de si.


É aí que o corpo aprende que é seguro estar.



O que isto muda na prática


Não se trata de abandonar o teu processo. Trata-se de perceber que ele não é uma preparação para a relação; é a própria relação, vivida com mais consciência.

Não precisas de estar inteira para te ligares a alguém. Precisas de estar presente. E disposição para aparecer imperfeita é, muitas vezes, o gesto mais corajoso que uma relação pode receber.

Tal como confio em ti para fazer esta reflexão, confio também para saberes chegar aos ajustes que talvez precises de fazer... para que esta fase do teu processo não aconteça apesar das relações que tens, mas dentro delas.


Se reconheceste algum destes padrões em ti ou na tua relação, as PELE Sessions são um espaço para o que só o encontro desperta, online ou presencialmente.


Abraço pele com pele, Tamar


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