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Intimidade nos relacionamentos: é muito mais do que sexo

  • Foto do escritor: Tamar
    Tamar
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

Quando se fala de intimidade nos relacionamentos, muitas pessoas usam esta palavra como sinónimo de sexo.

“Fomos íntimos” significa, quase automaticamente, “tivemos relações sexuais”.


Mas a verdade é que a vida íntima vai muito além do acto sexual.


Podemos ter sexo sem intimidade. E podemos viver relações profundamente íntimas onde, por diferentes razões, não há sexo.


A intimidade não começa no corpo, começa no espaço seguro onde duas pessoas se encontram emocionalmente, energeticamente e simbolicamente.



O que é, afinal, intimidade?


O contacto íntimo é um dos pilares fundamentais das relações humanas. É o que nos permite dar quem somos e receber quem o outro é, com segurança, confiança e presença.


Ainda assim, raramente nos foi ensinado:

  • o verdadeiro valor da intimidade

  • como a construir

  • e, sobretudo, como a nutrir ao longo do tempo, assumindo a nossa parte de responsabilidade nas relações que escolhemos viver.


A intimidade é um processo interpessoal - acontece, pelo menos, entre duas pessoas - e baseia-se na comunicação. Uma comunicação que vai muito além das palavras e que envolve:

  • vulnerabilidade

  • partilha de partes privadas

  • expressão emocional e corporal

  • escuta sem julgamento


É esta procura que faz a alma aquecer e o corpo vibrar.É aqui que nos sentimos vistos, reconhecidos e verdadeiramente em casa.



A intimidade precisa de um tipo específico de desejo


A intimidade não se sustenta apenas no desejo sexual. Ela precisa de um desejo mais profundo e, muitas vezes, esquecido: o desejo de conhecer.


Conhecer o outro. Conhecer-te a ti. E continuar a fazê-lo, mesmo quando a relação deixa de ser novidade.


É nesta noção que trabalho o desejo como força propulsora - aquela energia interna que desperta a vontade e o compromisso de nos entregarmos à revelação.


Revelar pensamentos, emoções, medos, fantasias e desejos. Sem filtros. Sem máscaras. Sem medo de julgamento.


No início das relações, este desejo está naturalmente presente. É por isso que ficamos horas a conversar, a partilhar histórias, a estar simplesmente na presença do outro, esquecendo compromissos, horários e até o cansaço (que, muitas vezes, se paga no dia seguinte).


Este período cria as bases para o contacto íntimo. Mas é importante dizer algo com clareza: nos primeiros meses, ainda não estamos a falar de verdadeira intimidade. Estamos, muitas vezes, no campo da projeção e da idealização.



Da idealização à intimidade real


A idealização pode ser um combustível poderoso. Ajuda-nos a entrar na aventura, cheia de riscos, que é abrirmo-nos a um desconhecido.


Mas é também um estádio imaturo da relação.

Mais cedo ou mais tarde, surge uma decisão inevitável:


"Queres realmente ver o outro como ele é"?

"E permitir que ele te veja também"?


A intimidade real começa quando a fantasia cede lugar à verdade. Quando deixamos de nos relacionar com a ideia que criámos e começamos a relacionar-nos com a pessoa real, imperfeita, humana.



A vida íntima: bênção e maldição


Conhecer mais e melhor - a ti e à tua parceria - traz presentes importantes:

  • estabilidade

  • segurança

  • previsibilidade

  • conforto


Tudo aquilo que os seres humanos desejam para se sentirem tranquilos e seguros.


O paradoxo é que, depois de conquistadas, estas qualidades são muitas vezes tomadas como garantidas. E, para algumas pessoas, transformam-se rapidamente em tédio.


Para os mais românticos, passionais e sensíveis, esta estabilidade pode ser sentida como uma vida “em tons pastel”. Nada está errado aqui; apenas estamos a falar de necessidades diferentes.


Há pessoas que, para prosperar, precisam de:

  • aventura

  • risco

  • imaginação

  • mistério

  • uma paleta inteira de cores



Intimidade e erotismo: um equilíbrio delicado


Conciliar a profundidade da intimidade com a vitalidade do erotismo é um dos maiores desafios dos casais e um dos factores que mais impacta a vida sexual.


Não se trata de mudar tudo de um dia para o outro.Nem de forçar desejo.Nem de “corrigir” a relação.


Na minha experiência com casais, as mudanças mais transformadoras começam com pequenos gestos conscientes, repetidos ao longo do tempo:

  • presença real

  • curiosidade renovada

  • escuta genuína

  • contacto sem objetivo


Foi a partir desta observação que criei o Checklist Intimidade Slow , um recurso prático que convida ao caminho do meio: nem reprimir a necessidade de conexão, nem viver reféns da rotina.


Uma forma simples e possível de criar, sustentar e saborear a intimidade no meio do lufa-lufa dos nossos dias.



Abraço pele com pele, Tamar



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